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Cases/Elevação de privilégio por usuário interno
Laudo forense · Microsoft Defender for Business

Três ondas, nenhuma elevação: o notebook que tentou virar administrador

Empresa brasileira de engenharia

ContidoSeveridade altaOrigem interna
Ambiente
Microsoft 365 Business Premium
Ano
2026
Escopo
Endpoint Windows 11 · pacote de investigação
Conduzido por
Resposta a Incidentes · Frayha
01

Resumo

Durante três dias, o próprio usuário de um notebook corporativo tentou obter privilégios de administrador e instalar software não autorizado. Foram tentativas de bypass de UAC via PowerShell, um loader de jogos com driver de kernel vulnerável, um repositório público de bypass de UAC e um script chamado bruteforce.bat. O Microsoft Defender bloqueou todas as tentativas registradas. O laudo forense confirmou: verdadeiro positivo de origem interna, sem atacante externo, sem elevação, sem persistência e sem exfiltração.

3
ondas de atividade em dias consecutivos
6
processos PowerShell de bypass de UAC bloqueados
4
arquivos maliciosos identificados e quarentenados
20
eventos na linha do tempo forense
0
elevação, persistência, C2 ou exfiltração
11
recomendações em quatro frentes

Os três vetores tentados

Bypass de UAC · alto

Seis processos PowerShell detectados como Behavior:Win32/UACBypassExp.T!gen em dois blocos, com alerta de possível adulteração do AMSI.

Bloqueado e alteração de registro revertida
Driver de kernel · crítico

Loader de jogos detectado como Trojan:Win64/DriverLoader, baixado três vezes, com drivers .sys embutidos. Técnica conhecida como BYOVD.

Quarentena e driver barrado por regra ASR
Elevação e força bruta · alto

Repositório público de bypass de UAC, bruteforce.bat, um script VBS e cópias de utilitários do sistema em Downloads e em mídia removível.

Quarentena e cópias barradas por ASR
Conclusão principal

Não houve comprometimento do sistema. O incidente foi tratado como violação da política de uso aceitável, com limpeza dos artefatos remanescentes, verificação completa do dispositivo e tratativa administrativa junto ao gestor do colaborador.

02

Contexto e acionamento

O Microsoft Defender XDR abriu um incidente para um notebook Windows 11 ingressado no Entra ID e, ao longo de dois dias, mesclou a ele outros dois incidentes do mesmo dispositivo. A severidade subiu automaticamente de baixa para média e depois para alta. O usuário associado tinha conta padrão, sem administrador local.

As perguntas para a Frayha eram objetivas: houve elevação, persistência ou exfiltração? Existe um atacante externo? A resposta precisava vir das evidências do dispositivo, com grau de confiança declarado em cada conclusão.

03

Metodologia

Identificar
Coletar
Preservar
Analisar
Relatar

A condução seguiu o ciclo de resposta a incidentes do NIST SP 800-61. O tratamento das evidências observou o NIST SP 800-86 e a ABNT NBR ISO/IEC 27037. Cada conclusão do laudo distingue fato observado de inferência.

EvidênciaOrigemUso na análise
Atividades e evidências do incidenteExportações do Defender XDRCorrelação de alertas, mudanças de severidade, processos, arquivos e URLs
Eventos do Defender (1116, 1117, 1121, 5007)Pacote de investigação MDEDetecções, remediações, bloqueios ASR e alterações de configuração
Logs do motor antimalwarePacote de investigação MDEHashes, quarentena e linhas de comando bloqueadas
Prefetch e BAMPacote de investigação MDEExecução de binários com data e hora
Processos, serviços, tarefas, autoruns, conexões, DNS e ARPPacote de investigação MDEPersistência, artefatos remanescentes e comunicação ativa
Sem Advanced Hunting

O Defender for Business, incluído no Microsoft 365 Business Premium, não oferece Advanced Hunting. Por isso a investigação se apoiou no pacote de investigação coletado do próprio dispositivo e na linha do tempo do portal. Com ele, ainda foi possível chegar a conclusões de alta confiança.

04

Linha do tempo

D1 = primeiro dia com detecção. Os períodos do dia seguem o horário de Brasília.

D0Antecedente
D1Onda 1 · bypass de UAC
D2 tardeOnda 2 · loader BYOVD
D2 noiteOnda 3 · elevação e força bruta
D4Coleta forense
D0 · manhãUsuário

Seis prompts de credencial em três minutos. Sem detecção, registrado apenas como antecedente.

D1 · manhãUsuário

Tentativa de instalar o Visual Studio e, minutos depois, primeiro bloco de três processos PowerShell detectados como UACBypassExp.T!gen.

D1 · tardeDefender

Segundo bloco com mais três processos e alerta de possível adulteração do AMSI. Comportamento bloqueado e registro revertido. Severidade escala para alta.

D2 · madrugadaUsuário

Execuções repetidas de WSReset.exe e net.exe, padrão compatível com nova tentativa de bypass de UAC. Sem elevação comprovada.

D2 · tardeDefender

Loader de jogos baixado três vezes e detectado como Trojan:Win64/DriverLoader. A regra ASR de drivers assinados vulneráveis barra o driver embutido. Instalador não homologado aberto dezenas de vezes, também bloqueado por ASR.

D2 · noiteDefender

Cópias de utilitários do sistema em Downloads e em mídia removível, repositório de bypass de UAC (Trojan:Win32/Vigorf.A) e bruteforce.bat (Trojan:Script/Wacatac). Tudo bloqueado ou quarentenado. Tentativas de instalar Steam e VirtualBox sem elevação.

D4 · manhãUsuário

Versão portátil de um aplicativo de jogos executada em contexto de usuário, sem elevação. Lacuna de controle registrada.

D4Frayha

Coleta do pacote de investigação: nenhum processo malicioso ativo e nenhuma conexão suspeita.

05

Perguntas da investigação

Cada pergunta recebeu uma resposta baseada em evidência e um grau de confiança explícito.

PerguntaRespostaConfiança
Houve elevação de privilégio bem-sucedida?Não. Nenhuma instalação concluída e o grupo de administradores locais não mudou.Alta
Houve persistência?Não. Serviços, drivers, tarefas agendadas e autoruns sem itens novos fora do padrão.Alta
Houve exfiltração ou comunicação com C2?Não identificada. Apenas destinos conhecidos na coleta e DNS sem domínios suspeitos.Alta
Há indício de atacante externo?Não. Atividade no contexto do próprio usuário, com interação manual.Alta
Qual a motivação provável?Instalar software pessoal ou não homologado: jogos, virtualização e ferramentas de desenvolvimento.Média
Houve força bruta contra contas locais?Não verificável. O log de segurança havia sido sobrescrito.Baixa

Elementos verificados como não comprometidos

VerificaçãoResultado
Administradores locaisInalterado. O usuário não foi adicionado ao grupo.
Serviços, drivers e tarefasSomente itens de fabricantes conhecidos e de gestão corporativa.
Configuração do DefenderSem alterações. Proteção em tempo real, IOAV, Behavior Monitoring e NIS ativos, sem exclusões novas.
RedeSomente destinos conhecidos: Microsoft, Teams e ferramentas de gestão.
Processos ativosNenhum malicioso no momento da coleta.
Veredito

Verdadeiro positivo, atividade indesejada de usuário interno, contida. Impacto baixo, sem impacto a dados corporativos. O incidente pôde ser encerrado após a limpeza dos artefatos, a verificação completa e a tratativa administrativa.

06

Achados técnicos

Tentativas de bypass de UAC

O Behavior Monitoring detectou seis processos PowerShell em dois blocos no mesmo dia, bloqueou o comportamento e reverteu a alteração feita no registro do usuário. No segundo bloco houve alerta de possível adulteração do AMSI, a interface que permite ao antivírus inspecionar scripts. Um script PowerShell de poucos bytes permaneceu na pasta temporária. Na madrugada seguinte, execuções repetidas de WSReset.exe indicam outra técnica conhecida de bypass de UAC, sem detecção e sem processo elevado.

Loader com driver de kernel (BYOVD)

Um loader de jogos, comprado ou baixado de uma loja online, foi baixado três vezes e classificado como Trojan:Win64/DriverLoader. Ao ser extraído, criou uma pasta com dois drivers .sys embutidos. Loaders desse tipo carregam um driver legítimo, porém vulnerável, para executar código no kernel. A regra ASR de abuso de drivers assinados vulneráveis bloqueou o acesso ao driver e foi determinante para a contenção.

Ponto de atenção · BYOVD

É a mesma técnica usada por operadores de ransomware para desligar o EDR antes da criptografia. Aqui, a combinação de conta padrão sem administrador local e regra ASR interrompeu a cadeia antes do carregamento do driver.

Ferramentas de elevação e força bruta

Na mesma noite, o usuário baixou um repositório público de bypass de UAC, criou um script chamado bruteforce.bat e executou um script VBS seguido de prompt de UAC. Cópias de utilitários do sistema em Downloads e em mídia removível foram barradas pela regra ASR de ferramentas de sistema copiadas. No Prefetch aparecem ainda bitsadmin, cmdkey, sc, as configurações de UAC e o editor de registro, sem linha de comando que comprove uso indevido.

Motivação provável

Os alvos das tentativas, como plataforma de jogos, VirtualBox, Visual Studio e o loader de jogos, indicam que o objetivo era instalar software pessoal ou não homologado. Nenhum deles chegou a ser instalado. É uma inferência baseada nos nomes dos artefatos e no padrão de horário, com confiança média.

Ruído descartado

Bloqueios ASR envolvendo utilitários do Git e acessos do sistema ao processo lsass no dia anterior correspondiam a atividade de desenvolvimento e de sistema. As ferramentas de acesso remoto presentes eram de gestão corporativa e não mostraram atividade anômala.

07

Técnicas observadas (MITRE ATT&CK)

Entraram no mapeamento somente as técnicas sustentadas por evidência, com o status de cada uma.

TáticaTécnicaStatus no caso
Escalonamento de privilégioT1548.002Bypass de UACBloqueada (PowerShell e repositório); observada via WSReset, finalidade inferida
ExecuçãoT1059.001PowerShellBloqueada
ExecuçãoT1059.003Windows Command ShellBloqueada
ExecuçãoT1059.005Visual BasicObservada, sem evidência de sucesso
Comando e controleT1105Transferência de ferramentasObservada, artefatos quarentenados
Escalonamento de privilégioT1068Exploração para elevação (BYOVD)Bloqueada
Evasão de defesaT1562.001Desativar ou modificar ferramentasInferida, sem alteração de configuração
Evasão de defesaT1036.003Renomear utilitários legítimosBloqueada
Evasão de defesaT1197BITS JobsInferida, sem uso comprovado
Acesso a credenciaisT1110Força brutaBloqueada, execução não comprovada
08

Eficácia dos controles

ControleO que bloqueouResultado
Conta padrão, sem administrador localTodas as instalações e tentativas de elevaçãoEficaz · controle-chave
ASR · drivers assinados vulneráveisDriver de kernel embutido no loaderEficaz · determinante
Behavior MonitoringSeis processos de bypass de UAC, com reversão do registroEficaz
Defender AntivírusLoader, repositório de bypass e bruteforce.batEficaz · quarentena
ASR · prevalência e ferramentas copiadasInstalador não homologado e cópias de utilitários do sistemaEficaz
Correlação do Defender XDRTrês incidentes mesclados e severidade escaladaEficaz · visibilidade

Lacunas encontradas

LacunaEfeito observado
SmartScreen desligadoDownloads e execuções sem verificação de reputação
Log de segurança sobrescrito por auditoria de firewallRetenção de apenas 18 minutos; falhas de logon não verificáveis
Sem Advanced Hunting no licenciamentoBusca retroativa limitada à linha do tempo do dispositivo
Nenhuma verificação completa préviaO dispositivo nunca havia passado por Full Scan
Executáveis portáteis não bloqueadosAplicativo de jogos rodou em contexto de usuário
09

Impacto

ParteImpacto
Dados corporativosNenhum. Sem exfiltração nem comunicação com infraestrutura maliciosa.
DispositivoArtefatos remanescentes preservados e removidos. Sem persistência nem driver carregado.
Pessoas e processosViolação da política de uso aceitável, tratada com o gestor e o RH.
10

Lições aprendidas

O que funcionou

  • Usuário sem administrador local: nenhuma instalação foi concluída.
  • Regras ASR ativas, incluindo a de drivers vulneráveis.
  • Correlação do XDR, que juntou três incidentes numa única investigação.
  • Pacote de investigação preservando o estado do dispositivo para o laudo.

O que precisa mudar

  • SmartScreen desligado no dispositivo.
  • Log de segurança pequeno demais para sustentar uma investigação.
  • Executáveis não homologados rodando livremente a partir de Downloads.
  • Política de uso de equipamento sem ciência formal do colaborador.
Para gestores

Nem todo incidente de severidade alta é um ataque externo. Neste caso, o que impediu um problema real foi o básico bem feito: usuários sem privilégio de administrador, regras ASR ativas e um processo para tratar a violação com o RH, além da limpeza técnica.

11

Recomendações

Contenção e verificação
  • Preservar com hash e remover os scripts e a pasta do loader que ficaram no dispositivo.
  • Executar Full Scan e confirmar zero ameaças.
  • Cadastrar hashes e URLs como indicadores de bloqueio no Defender.
  • Revisar a linha do tempo do dispositivo e rotacionar as senhas locais ou confirmar o Windows LAPS.
Governança
  • Comunicar o gestor e o RH sobre a violação da política de uso aceitável.
  • Colher ciência formal do colaborador sobre a política de software e de uso de equipamento.
Endurecimento
  • Ampliar o log de segurança e reduzir a auditoria de firewall que o sobrescreve.
  • App Control for Business para bloquear executáveis não homologados.
  • Habilitar o SmartScreen para reputação de apps e URLs.
  • Revisar quais softwares são permitidos no parque corporativo.
Case elaborado pela Frayha Tecnologia a partir de um laudo forense real, com dados anonimizados. Nomes da empresa e de pessoas, nomes de dispositivos e de contas, números de incidente, hashes, URLs, identificadores técnicos e datas do calendário foram omitidos ou generalizados.

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