Zero trust é um modelo de segurança que parte de uma premissa simples e poderosa na qual nenhum usuário, dispositivo ou sistema deve ser automaticamente confiável, independentemente de estar dentro ou fora da rede corporativa.
No contexto corporativo, credenciais comprometidas são um dos vetores de ataque mais comum, ambientes híbridos expõem dados a múltiplos pontos de acesso e colaboradores trabalham de qualquer lugar, assim, operar com confiança implícita já não é mais aceitável.
Segundo o Microsoft Digital Defense Report, a infraestrutura Microsoft registra mais de 600 milhões de ataques de identidade por dia, e mais de 99% das contas comprometidas não possuíam autenticação multifator ativa.
Neste artigo, você vai entender como o modelo zero trust funciona, por que tantas empresas ainda operam sem ele e como implementá-lo de forma prática dentro do ecossistema Microsoft 365. Acompanhe.
Durante décadas, a segurança corporativa foi construída sobre a lógica do perímetro: tudo dentro da rede é seguro, tudo fora é ameaça. Firewalls, VPNs e controles de acesso por localização formavam a barreira que separava o ambiente confiável do mundo externo.
Esse modelo funcionou bem enquanto os dados viviam em servidores locais e os colaboradores trabalhavam apenas no escritório.
Porém, o ambiente corporativo mudou profundamente. Aplicações migraram para a nuvem, equipes passaram a trabalhar remotamente, fornecedores e parceiros acessam sistemas internos e dispositivos pessoais se conectam a redes corporativas sem qualquer controle formal.
Nesse contexto, o perímetro deixou de existir como barreira efetiva, e o modelo tradicional passou a criar uma falsa sensação de proteção, uma vez que o atacante obtém uma credencial válida, ele entra pela porta da frente e circula pelo ambiente com liberdade quase irrestrita.
O zero trust responde a esse problema substituindo a confiança baseada em localização por verificação contínua baseada em contexto.
Toda solicitação de acesso, de qualquer usuário, em qualquer dispositivo, de qualquer localização, é tratada como potencialmente não confiável e avaliada em tempo real com base em múltiplos fatores antes de ser concedida.
Dessa maneira, mesmo que uma credencial seja comprometida, o atacante encontra barreiras adicionais em cada etapa do ambiente.
Imagine uma empresa de médio porte que opera com Microsoft 365 há três anos. Os colaboradores têm acesso ao e-mail, ao SharePoint e ao Teams com login e senha, sem autenticação multifator obrigatória.
Um prestador de serviços que trabalhou no projeto do ano anterior ainda tem a conta ativa no ambiente. Um funcionário recebe um e-mail de phishing convincente, clica no link e insere suas credenciais em uma página falsa.
Em questão de minutos, o atacante está dentro do ambiente com acesso a tudo que aquele colaborador acessa, sem que nenhum alerta seja disparado.
Esse cenário não é hipotético. Segundo o relatório IBM Cost of a Data Breach, o custo médio global de uma violação de dados atingiu US$ 4,45 milhões, e empresas com o modelo zero trust implementado reduziram esse custo em média US$ 1,76 milhão por incidente.
Ou seja, além de ser uma questão de segurança, é uma decisão financeira.
Os riscos mais concretos de operar com confiança implícita incluem:
· Movimento lateral irrestrito: um atacante que compromete uma conta com acesso amplo pode se mover entre sistemas, arquivos e aplicações sem encontrar barreiras adicionais, ampliando o impacto do incidente muito além do ponto inicial de comprometimento.
· Identidades órfãs e acessos acumulados: colaboradores que mudaram de área ou foram desligados frequentemente mantêm acessos que nunca foram revogados, representando pontos de entrada silenciosos que ninguém monitora.
· Dispositivos não gerenciados como vetores de ataque: sem políticas de conformidade de dispositivos, qualquer endpoint, incluindo celulares pessoais e notebooks sem atualização, pode ser o ponto de partida de um comprometimento.
· Ausência de visibilidade sobre o que acontece internamente: sem monitoramento contínuo de acessos e comportamentos, a empresa simplesmente não sabe o que está acontecendo dentro do próprio ambiente até que o dano já tenha sido feito.

Implementar zero trust não exige substituir toda a infraestrutura existente. Para empresas que já utilizam Microsoft 365, boa parte das ferramentas necessárias já está disponível no próprio ecossistema, porém frequentemente subutilizada ou não configurada.
O Microsoft Entra ID, anteriormente conhecido como Azure Active Directory, é a plataforma central de identidade que viabiliza o modelo zero trust dentro do ambiente Microsoft.
Vamos conhecer 3 funcionalidades fundamentais?
Em vez de verificar o usuário apenas no momento do login, o zero trust avalia continuamente o contexto de cada solicitação de acesso: quem é o usuário, em qual dispositivo está, de qual localização acessa, em qual horário e qual comportamento está exibindo.
O Microsoft Entra ID realiza essa avaliação em tempo real, aplicando políticas de acesso condicional que bloqueiam, restringem ou exigem verificação adicional sempre que algum sinal de risco é detectado.
O acesso condicional do Entra ID permite criar regras granulares que definem exatamente as condições em que um acesso é permitido. Por exemplo, um colaborador acessando o SharePoint de um dispositivo não gerenciado fora do horário comercial pode ser solicitado a completar uma autenticação adicional ou ter o acesso restrito a modo de leitura.
Além disso, o princípio do menor privilégio garante que cada usuário acesse apenas o que é estritamente necessário para suas funções, limitando drasticamente o impacto de qualquer comprometimento.
A MFA é um dos controles mais impactantes dentro do modelo zero trust, bloqueando a grande maioria dos ataques baseados em credenciais comprometidas.
O Microsoft Entra ID P1 e P2, disponíveis em planos Microsoft 365 Business Premium e Enterprise, oferecem MFA avançado, políticas de proteção de identidade baseadas em risco e detecção automática de comportamentos suspeitos, como logins de localizações impossíveis ou padrões de acesso fora do normal.
Um dos pontos mais relevantes para gestores e analistas de TI é que a maioria das ferramentas necessárias para implementar zero trust já está incluída nas licenças Microsoft 365 que muitas empresas pagam mensalmente.
O problema raramente é falta de ferramenta, mas sim, a falta de configuração e de um parceiro que saiba ativá-las corretamente.
· Microsoft 365 Business Premium inclui Microsoft Entra ID P1, Intune para gestão de dispositivos, Defender for Business e acesso condicional, cobrindo as camadas centrais do modelo zero trust
· Microsoft 365 E3 adiciona conformidade avançada, gestão de identidade aprimorada e Entra ID P1 para toda a organização
· Microsoft 365 E5 incorpora Entra ID P2 com proteção de identidade baseada em risco, Defender XDR e Microsoft Sentinel para monitoramento em tempo real, chegando ao nível mais maduro de zero trust
Contudo, ter a licença não é o mesmo que ter o modelo implementado. Acesso condicional desconfigurado, MFA ativo apenas para algumas contas, dispositivos sem política de conformidade e identidades sem revisão periódica são situações comuns em ambientes que pagam pelo Microsoft 365 há anos, mas ainda operam com confiança implícita na prática.
Dessa maneira, salientamos que ativar os recursos disponíveis e configurá-los de forma coesa é o que transforma a licença em proteção real.
A Frayha implementa o modelo zero trust aproveitando os recursos que o ecossistema Microsoft 365 já oferece e que muitas empresas ainda não utilizam de forma completa e empresas que desejam outras opções do mercado.
O primeiro passo é sempre o diagnóstico: entender como o ambiente está configurado hoje, quais recursos do Microsoft 365 estão disponíveis e ainda não foram ativados e quais são as lacunas mais críticas a serem endereçadas.
A partir disso, a Frayha estrutura um roadmap de implementação de zero trust progressivo, priorizando o impacto máximo com o menor atrito operacional para as equipes.
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Zero trust é um produto que se compra?
Não. Zero trust é um modelo de segurança, uma filosofia de como o acesso a recursos corporativos deve ser concedido e monitorado. Ele é implementado por meio de um conjunto de ferramentas, políticas e processos. No ecossistema Microsoft, o Microsoft Entra ID, o acesso condicional e o Intune são as principais ferramentas que viabilizam a implementação do modelo.
Preciso substituir minha infraestrutura atual para adotar zero trust?
Não necessariamente. Para empresas que já utilizam Microsoft 365, boa parte da infraestrutura necessária já está disponível. A implementação do zero trust tende a ser incremental, começando pelos controles de identidade e expandindo progressivamente para gestão de dispositivos, segmentação de acesso e monitoramento contínuo.
Zero trust é adequado para médias empresas ou só para grandes corporações?
O modelo zero trust é adequado para qualquer organização que dependa de sistemas digitais para operar, independentemente do porte. Aliás, médias empresas frequentemente são alvos mais vulneráveis justamente porque investem menos em segurança do que grandes corporações. Os planos Microsoft 365 Business Premium já oferecem as ferramentas centrais do modelo zero trust, tornando a implementação acessível para empresas com equipes menores.
Quanto tempo leva para implementar zero trust?
Depende do estágio atual do ambiente e do escopo definido. Uma implementação progressiva, começando pelos controles mais críticos como MFA e acesso condicional, pode gerar impacto significativo em poucas semanas. A evolução para controles mais avançados, como proteção de identidade baseada em risco e segmentação de rede, tende a acontecer em fases ao longo de meses, sem interromper a operação cotidiana da empresa.

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