Os riscos cibernéticos que empresas brasileiras enfrentam não são mais uma abstração reservada ao universo das grandes corporações ou dos noticiários de tecnologia. Para ter noção, Brasil registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos, segundo o Relatório Global de Ameaças 2026, consolidando o país como um dos alvos mais frequentes do mundo.
No mesmo período, organizações brasileiras sofreram em média 3.736 ataques semanais por empresa, representando um crescimento de 37% em relação ao ano anterior, de acordo com a Check Point Research.
Sim, estamos diante de um cenário que é desafiador, porém compreensível e quem conhece os vetores de risco que realmente ameaçam a operação tem melhores condições de construir uma defesa proporcional e eficaz.
Este artigo apresenta os 8 principais riscos cibernéticos que as empresas brasileiras precisam monitorar em 2027, organizamos o conteúdo por 3 categorias: riscos associados a pessoas e identidade; infraestrutura e tecnologia; e governança. Acompanhe.
Independentemente do nível de maturidade tecnológica de uma empresa, os ataques cibernéticos mais bem-sucedidos raramente começam por brechas de infraestrutura complexas.
Pois começam pelas pessoas, por exemplo, uma credencial comprometida, um link clicado no momento errado, uma ferramenta instalada sem aprovação.
São também os mais conhecidos pela mídia e pela sociedade, embora os mais fáceis de “cair”.
Por isso, conhecer esses vetores de entrada é fundamental para priorizar os controles certos, assim como, entendê-los de uma forma mais aprofundada. Veja:
O phishing continua sendo o vetor de ataque mais utilizado globalmente, e sua evolução nos últimos anos tornou-o significativamente mais difícil de identificar.
Com o uso de inteligência artificial generativa, criminosos constroem mensagens personalizadas que imitam o estilo de comunicação de fornecedores, colegas e líderes da própria organização.
O spear phishing, modalidade direcionada a alvos específicos como diretores financeiros e gestores de TI, é especialmente preocupante porque explora contextos reais e dados publicamente disponíveis sobre a vítima.
Um único clique em um link fraudulento pode entregar ao atacante acesso a sistemas, credenciais válidas e liberdade de movimento dentro do ambiente corporativo.
Senhas fracas, reutilizadas em múltiplos serviços ou expostas em vazamentos anteriores representam um dos riscos cibernéticos mais explorados atualmente.
Grupos criminosos utilizam bases de dados de credenciais vazadas para realizar ataques de credential stuffing, testando automaticamente combinações de login e senha em plataformas corporativas.
O Microsoft Digital Defense Report aponta que mais de 90% das contas comprometidas em ataques de identidade não possuíam autenticação multifator ativa, evidenciando que um controle relativamente simples de implementar teria bloqueado a esmagadora maioria desses incidentes.
O uso de aplicações e ferramentas de inteligência artificial sem aprovação ou monitoramento do departamento de TI cria pontos cegos no perímetro de segurança que nenhum firewall ou antivírus consegue cobrir.
Quando um colaborador cola dados financeiros de clientes no ChatGPT ou sincroniza arquivos corporativos em uma conta de armazenamento pessoal, essas informações saem do ambiente controlado da empresa sem registro e sem possibilidade de auditoria.
Aliás, 63% das organizações ainda não possuem políticas formais de governança de IA, de acordo com dados compilados pela Vantico, tornando o Shadow AI um dos riscos cibernéticos de crescimento mais acelerado para 2027.

Enquanto os vetores ligados a pessoas exploram comportamentos e credenciais, os riscos de infraestrutura têm como alvo os sistemas e as tecnologias que sustentam a operação.
Dessa maneira, quando um ataque bem-sucedido nessa camada acontece, o impacto é imediato e potencialmente irreversível sem uma estratégia de recuperação previamente estruturada.
Assim, temos:
O ransomware evoluiu de um ataque de oportunidade para um modelo de negócio criminoso altamente organizado.
Em 2026, o Brasil alcançou pela primeira vez o terceiro lugar no ranking mundial de ataques de ransomware em um único mês, segundo dados da plataforma Ransomware.Live.
Entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 99 ataques confirmados no país, representando 36,3% de todos os incidentes de ransomware da América Latina no período.
Grupos criminosos adotam hoje o modelo de extorsão dupla: além de criptografar os dados, ameaçam publicá-los caso o resgate não seja pago, ampliando o impacto financeiro e reputacional do ataque.
Sistemas operacionais desatualizados, softwares sem patch de segurança e equipamentos de rede com firmware antigo são vetores clássicos de invasão que continuam sendo explorados de forma sistemática.
Grupos de ransomware e outros agentes maliciosos monitoram ativamente a publicação de vulnerabilidades conhecidas e atuam rapidamente para explorar ambientes que ainda não aplicaram as correções disponíveis.
Além disso, sistemas legados presentes em muitas empresas de médio porte foram desenvolvidos em contextos onde segurança não era uma prioridade de design, carregando brechas estruturais que não podem ser corrigidas apenas com patches.
Um dos vetores de risco cibernético que mais cresceu nos últimos anos é o ataque por meio de fornecedores, parceiros e prestadores de serviços com acesso ao ambiente corporativo.
Quando um terceiro com conexões legítimas ao sistema da empresa é comprometido, o atacante obtém um ponto de entrada aparentemente confiável, capaz de contornar boa parte dos controles perimetrais.
Portanto, a segurança de fornecedores precisa fazer parte da estratégia de risco da empresa, não apenas a segurança interna.
Existem riscos cibernéticos que não dependem de um atacante externo para se materializar.
Eles crescem internamente, alimentados pela ausência de políticas claras, pela falta de visibilidade sobre o ambiente e pelo acúmulo de decisões tecnológicas tomadas sem critério de segurança.
Esses riscos de governança são, em muitos casos, os que criam as condições para que todos os outros se tornem mais graves.
Por isso, listamos a seguir. São eles:
• Ausência de políticas e frameworks de segurança: empresas que operam sem uma política formal de segurança da informação, sem gestão de acessos estruturada e sem um processo definido de resposta a incidentes não têm como medir sua exposição nem agir de forma coordenada quando um ataque acontece. A ausência de governança amplifica qualquer outro risco cibernético existente no ambiente.
• Ameaças internas e acúmulo de privilégios: colaboradores com acessos que excedem o necessário para suas funções, contas de ex-funcionários que nunca foram desativadas e permissões concedidas por conveniência e nunca revisadas formam um campo fértil para incidentes, seja por ação intencional ou por exploração dessas contas por atacantes externos. O princípio do menor privilégio, quando não aplicado, transforma qualquer credencial comprometida em uma chave com acesso muito mais amplo do que deveria ter.
• Falta de conformidade com a LGPD: a Lei Geral de Proteção de Dados estabelece obrigações técnicas e organizacionais para o tratamento de dados pessoais. Ambientes sem controles adequados de acesso, sem políticas de retenção e sem mecanismos de rastreabilidade estão não apenas mais expostos a incidentes, mas também mais vulneráveis às sanções da ANPD em caso de violação, com multas que podem chegar a 2% do faturamento anual, limitadas a R$ 50 milhões por infração.
Compreender os riscos cibernéticos é o primeiro passo, porém transformar esse conhecimento em proteção real exige uma abordagem que integre as diferentes camadas do problema: identidade, infraestrutura, dados e governança.
A Frayha estrutura estratégias de cibersegurança integradas, combinando as ferramentas do ecossistema Microsoft com parceiros especializados para cobrir cada um dos vetores de risco apresentados neste artigo.
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Sim, e em alguns casos de forma ainda mais intensa. Grupos criminosos que atuam com ransomware-as-a-service direcionam ataques para empresas de menor porte precisamente porque elas tendem a ter estruturas de segurança menos maduras, equipes de TI menores e maior probabilidade de pagar o resgate para retomar a operação rapidamente. A percepção de que ataques cibernéticos sofisticados afetam apenas grandes corporações é uma das crenças que mais expõem médias empresas.
A priorização deve ser baseada em um diagnóstico do ambiente atual, cruzando a probabilidade de cada vetor de risco com o impacto potencial para a operação específica da empresa. Em geral, controles de identidade como MFA e acesso condicional têm custo de implementação baixo e impacto imediato na redução da superfície de ataque, sendo os primeiros a serem ativados. Em seguida, a cobertura de endpoints com detecção e resposta ativa e a estruturação de backup imutável formam a base de proteção para os demais vetores.
Ter Microsoft 365 disponibiliza um conjunto robusto de ferramentas de segurança, porém a disponibilidade das ferramentas não equivale à sua ativação e configuração correta. Ambientes Microsoft 365 sem autenticação multifator, sem acesso condicional configurado, sem políticas de DLP ativas e sem revisão de permissões continuam expostos à maioria dos riscos apresentados neste artigo. O diferencial está em ativar e configurar adequadamente o que já está disponível na licença contratada.

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